quarta-feira, julho 27, 2005

Refúgio



No novo dormitório, o leito é um esquife ordinário. Agora, irmão legítimo da ameba. Encontra asilo no porão profundo e escava. O cupim negro broca o teto e não atinge o mármore, uma parede doente revela a cara medonha dos buracos, a traça rói a mortalha imunda - tudo percorre a mesma órbita. No inventário da carne podre que fica, ao verme operário das ruínas toca a mais rica porção. Cego, ele só pede luzes.

4 Comments:

Blogger Paulo Lima said...

Do caralho! Leonardo, bem "augusta", inpiração tirada das entranhas hehehe. Tá muito boa mesma. Espero ver mais.

Abraço!

10:40 AM  
Blogger R2K said...

: )

7:06 PM  
Blogger WG said...

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6:41 PM  
Anonymous Carolina said...

Lindo texto.

1:27 PM  

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